As eleições municipais de 2024 nos trouxeram mais uma oportunidade de refletir sobre a participação das mulheres na política baiana. Como deputada federal eleita pela Bahia, acompanho de perto esse cenário e tenho a convicção de que fortalecer a democracia passa, necessariamente, por ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. Na Bahia, as mulheres são maioria entre os eleitores. Em julho de 2024, mais de 11,2 milhões de pessoas estavam aptas a votar no estado, e nós, mulheres, representamos mais da metade desse total. Esse dado revela a nossa força, nossa responsabilidade e nosso protagonismo no processo democrático. No entanto, essa maioria ainda não se traduz em
representação política proporcional.
Apesar de sermos maioria nas urnas, seguimos minoria nos cargos eletivos. Essa é uma contradição que precisa ser enfrentada com seriedade. Nas eleições municipais, foram registradas mais de 35 mil candidaturas em todo o estado, e cerca de um terço delas foi ocupado por mulheres, refletindo o cumprimento da legislação de cotas. No entanto, cumprir a regra legal não significa garantir igualdade real de condições. Ainda enfrentamos dificuldades no acesso a recursos, à estrutura e à visibilidade durante as campanhas. A participação da mulher na política é fundamental para a construção de políticas públicas mais justas, inclusivas e conectadas com a realidade da população. Quando as mulheres ocupam espaços de poder, temas como saúde, educação, combate à violência, geração de renda e cuidado com as famílias ganham mais atenção e sensibilidade. A presença feminina amplia o olhar sobre os problemas sociais, fortalece o diálogo e contribui para decisões mais equilibradas e eficazes, beneficiando toda a sociedade.
Quando observamos o Executivo municipal, os desafios se tornam ainda mais evidentes. Apenas 181 mulheres disputaram as 417 prefeituras baianas. Ao final do pleito, cerca de 60 mulheres foram eleitas prefeitas, o que representa aproximadamente 14% dos municípios do estado. Houve, sim, crescimento em relação às eleições de 2020, e isso deve ser reconhecido. Mas os números mostram que ainda estamos muito distantes de uma
representação compatível com a força feminina no eleitorado baiano. Nas câmaras municipais, a realidade não é diferente. As mulheres continuam sendo minoria entre os vereadores eleitos, repetindo uma tendência que se observa em todo o país. Mesmo participando ativamente da vida política, das campanhas e das mobilizações sociais, seguimos enfrentando barreiras históricas, culturais e estruturais que dificultam
nossa chegada aos espaços de poder.
Nesse contexto, é fundamental destacar os avanços promovidos pelo Movimento Mulheres Republicanas, tanto na Bahia quanto em âmbito nacional. O partido tem investido em formação política, incentivo à filiação, apoio às pré-candidaturas femininas e no fortalecimento da liderança das mulheres dentro das estruturas partidárias. Esse trabalho contínuo é essencial para que mais mulheres se sintam encorajadas a disputar eleições e ocupar espaços de decisão.
Na Bahia, o movimento Mulheres Republicanas tem atuado de forma firme e presente, dialogando com mulheres do interior, da capital, das periferias e de diferentes realidades sociais. Por meio da capacitação, da conscientização política e do estímulo à participação
ativa, temos contribuído para ampliar o protagonismo feminino nas eleições e nos debates públicos. Em nível nacional, essa mobilização fortalece uma agenda que reconhece a mulher como agente fundamental da transformação política.
Os dados das eleições revelam uma realidade clara: avançamos, mas ainda há muito a ser feito. Fortalecer a participação feminina não é apenas uma pauta das mulheres; é uma exigência para uma democracia mais representativa, mais justa e mais conectada com a
realidade da população. Seguiremos trabalhando para que cada vez mais mulheres ocupem os espaços de decisão,
levando suas experiências, sua sensibilidade, sua coragem e sua capacidade de transformação para a política. A força da mulher baiana é real. E quando ela ocupa o seu lugar, toda a sociedade avança.




