A deputada federal Rogéria Santos (Republicanos-BA) apresentou o Requerimento de Informação (RIC) nº 649/2026, cobrando esclarecimentos do governo federal sobre o avanço preocupante do câncer do colo do útero no Brasil. A doença segue como uma das principais causas de morte evitável entre mulheres e evidencia desigualdades no acesso à saúde.
Dados recentes reforçam a gravidade do cenário. O país registra cerca de 17 mil novos casos por ano, mantendo o câncer do colo do útero como o terceiro mais incidente entre mulheres brasileiras. Em relação à mortalidade, o Brasil ultrapassou a marca de 7 mil mortes anuais, com aproximadamente 7,5 mil óbitos em 2024, em tendência de crescimento nos últimos anos. Na prática, isso representa cerca de 19 a 20 mortes por dia, um número considerado alarmante por especialistas.
Apesar de ser uma doença altamente prevenível, principalmente por meio da vacinação contra o HPV e do rastreamento com o exame de Papanicolau (citologia), o país ainda enfrenta falhas importantes. Estudos apontam que 99% dos casos estão relacionados ao HPV, vírus que pode ser prevenido com imunização. A vacina, inclusive, já demonstrou impacto significativo, podendo reduzir em até 58% os casos da doença.
Mesmo assim, a cobertura vacinal ainda não atinge o ideal. Em 2025, cerca de 80% do público-alvo foi vacinado, abaixo da meta internacional de 90%. Além disso, o rastreamento segue insuficiente: aproximadamente 12,5% das mulheres nunca realizaram o exame preventivo, o que dificulta o diagnóstico precoce..
Outro ponto crítico destacado pela parlamentar é o diagnóstico tardio. No Brasil, muitos casos ainda são identificados em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e aumenta a mortalidade. Soma-se a isso o aumento contínuo de óbitos nos últimos anos — entre 2019 e 2023, por exemplo, houve crescimento superior a 8% nas mortes pela doença.
A deputada também chama atenção para as desigualdades regionais e sociais. As maiores taxas de incidência e mortalidade estão concentradas nas regiões Norte e Nordeste, refletindo dificuldades no acesso à vacinação, ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
Diante desse cenário, o requerimento solicita ao Ministério da Saúde informações detalhadas sobre dados epidemiológicos, cobertura vacinal, acesso ao rastreamento, tempo de diagnóstico e tratamento, além das medidas adotadas para reduzir desigualdades e alinhar o Brasil às metas da Organização Mundial da Saúde.
Segundo Rogéria Santos, a iniciativa busca garantir transparência, fortalecer a fiscalização do Parlamento e orientar políticas públicas mais eficazes. A deputada ressalta que a persistência de mortes por uma doença evitável revela falhas estruturais que precisam ser enfrentadas com urgência, sob pena de perpetuar um quadro inaceitável no país.




